Lê, e então?

Sabem que do sofá não se vêem as estrelas?

E deparo-me com uma notícia que me deixa com profunda tristeza. Com tristeza de estarem a tentar fazer o mal a quem só pratica o bem. Com a tristeza de ver uma casa que é deles, e com um contrato válido assinado pela Câmara Municipal de Sintra, a querer-lhes ser retirada, mais uma vez.

E com indignação. Muita indignação pela falta de respeito por todos os jovens dirigentes do Grupo 93, dos Escoteiros de Sintra, juntamente com os cerca de 100 escoteiros que ali se encontram. Indignação por nem uma palavra a Câmara Municipal de Sintra ter tido para quem faz um trabalho que, além de ser respeitado, devia ter sido já agraciado por mérito.

A Cadeia Comarcã é a casa dos Escoteiros de Sintra há décadas, o edifício, que já foi declarado como de interesse público, só ainda existe porque em 1989 os escoteiros se colocaram literalmente à frente das máquinas que lhes iam destruir a sua casa. Ao seu redor existe um cemitério que não pode ser destruído, coisa que a Câmara parece querer esquecer e ali instalar um ponto de recepção ao turismo. É. Ao turismo. Os turistas necessitam de ser bem recebidos. A Câmara quer retirar a sede aos Escoteiros para ali colocar um centro de recepção aos turistas!

Mas e quem recebe as nossas crianças e jovens? Quem os acolhe e os forma com ensinamentos que não vão buscar a mais lado nenhum? Quem semana após semana, abdica do seu tempo livre para ajudar a criar adultos com valores? Quem os livra dos jogos electrónicos e lhes dá algo para fazer? Quem limpa a serra de graça? Quem recolhe alimentos? Quem visita lares de idosos? Eles merecem tanto o nosso respeito e apoio!

O meu filho esteve dois anos em lista de espera para entrar porque não poderia ser escoteiro noutro qualquer grupo, ainda que mais perto de casa. Se a proximidade da serra lhes confere o seu habitat natural, metade do seu encanto e magia é a sede deles. Onde podem brincar e aprender. Onde se fazem uns senhores e senhoras preparados para a vida. Onde têm um espaço exterior para as suas fogueiras e jogos de brutobol. Onde recebem a comunidade que os queira visitar, bem como quaisquer escoteiros de todo o mundo.

A minha indignação não tem tamanho. A minha tristeza é profunda.
A Câmara de Sintra não pode retirar a sede aos Escoteiros de Sintra, com alegadas condições de insalubridade, colocando sem aviso prévio uma rede à volta e querendo apenas expulsá-los de lá. Se o edifício ainda está de pé e cada vez em melhores condições é porque os escoteiros e nós, pais, temos ajudado a que tal aconteça, tendo já sido gastos milhares de euros em recuperações. O que os escoteiros precisam, é de ajuda, não que os expulsem da sua casa e os enfiem numa qualquer loja de mercado, pondo em causa todo o seu trabalho. Se a Câmara entende que a sede não tem condições, que ajude na reabilitação e a devolva aos escoteiros, que ali estão há décadas, com contrato válido.

Cada buraco nas suas camisolas, funciona como uma medalha! Cada pedaço de lama, significa que se esforçaram! Cada noite mal dormida, mostra-lhes que conseguem ultrapassar todos os obstáculos! Respeito! Merecem respeito!

Sabe o que é uma mística, Sr Presidente? Acredito que não, mas devia levantar-se do seu sofá e ir lá ver! E um Alma Nova? Pois….

Um dos lemas dos escoteiros é deixarem o mundo sempre melhor do que o encontrarem. Foi o que eles fizeram com a sua sede.

Por favor, ajudem as nossas crianças e jovens a não perderem a sua casa que tanto os ensina a crescer como pessoas responsáveis e activas na sociedade. 
Quem ajuda os nossos jovens que só querem saltar dos sofás para poderem ver as estrelas?
Partilhem, por favor, a nossa indignação para chegar a quem de direito!

Rita Leston. Escritora e mãe de Escoteiro.

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5 thoughts on “Sabem que do sofá não se vêem as estrelas?”

  1. De que serve um “ Posto de turismo” se não há nada para visitar. Formas de pensar “levianas” destroem o habitat de um povo que outros povos querem visitar. Se há turismo em Portugal é porque entre outras coisas existe vida nas comunidades que são visitadas. Grande Abraço ao grupo 93 de Escoteiros de Sintra.

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