Lê, e então?

Já fizeste as pazes com o teu Natal?

Há uns anos chateei-me com o Natal. A minha avó – pessoa que construía o Natal à sua volta durante todo um ano – morreu-me.

Morreu-me e eu fiquei sem a pessoa que me ensinou o que é o Natal.

Ensinou-me, sem nunca mo dizer, que o simples acto de passar horas na cozinha a fazer doces – sempre demais – era um acto de amor, em que cada um fazia os seus pedidos preferidos. Ensinou-me que o acto de comprar muitas prendas – sempre demais – não era consumismo, mas sim o pensar carinhosamente na pessoa e no que as faria sorrir receber aquele presente. Com ela habituei-me – todo o ano – a ter mil ouvidos para saber o que gostavam de ter as pessoas que me estão próximas. Aprendi a ficar feliz pelo simples acto de dar. Aprendi a valorizar cada presente recebido por mais insignificante que fosse.
Ensinou-me que o Natal começa meses antes. Que as compras de Natal se faziam no comércio tradicional da Baixa lisboeta. Que a 23 de Dezembro era noite de ver as luzes de Lisboa e comer castanhas assadas, directamente do embrulho em lista telefónica. Que os presentes de Natal têm de ser sempre surpresa. Que as malas dos carros se transformam em trenós de prendas e que os autocarros e comboios também trazem o Natal.

A minha avó era o meu espírito de Natal. 
E depois morreu-me. E levou a magia com ela. 

E eu zanguei-me com o Natal e o meu discurso passou a ser de “odeio o Natal”. Tornou-se uma obrigação desprovida de todo o resto. Os presentes eram comprados à pressa dois dias antes, agrafados dentro dos sacos das próprias lojas. Anos houve em que nem árvore de Natal fiz. Anos houve em que insisti num Natal que não existia. Odiei o (meu) Natal.

E um ano olhei para o miúdo aqui de casa e decidi que ele merecia outra coisa. E olhei para mim e percebi que nunca tinha odiado o Natal, mas que o que eu não tinha era o Natal que gostaria. Que a magia continuava por aqui, ainda que magoada e escondida a um canto. Um dia percebi que o Natal podia ser reinventado. Que o bacalhau pode ser transformado na nossa carbonara natalícia. Que o conceito de família mudou com os anos e que isso é uma dádiva. E voltei a ir ver as luzes de Natal todos os anos, como que se pudesse trazer a minha avó de volta. Aos poucos voltei a reconstruir a minha magia e a fazer as pazes com a vida.

Este ano fiz a árvore de Natal a meio de Novembro. Voltei a embrulhar todos os presentes com o mesmo papel, só porque gosto de ser eu mesma a fazer cada um dos embrulhos. Fizemos malabarismos nas lojas para ninguém perceber o que tínhamos comprado e continuar a ser surpresa. O miúdo andou eufórico com as surpresas onde participou. Sei que deu valor a cada uma das prendas – demais – que recebeu. Ofereceu-me todo o tempo do seu dia 23 de Dezembro – e cumpriu sem reclamar – para eu lhe pedir ajuda para o que eu precisasse para montar o nosso Natal. E fez as sua próprias surpresas para nós.

Voltámos – uma vez mais – a construir os nossos próprios presentes para a família e amigos. Escrevemos a carta ao Pai Natal e ensinámos as nossas tradições a quem chegou e trouxe as suas. E o miúdo pediu-me bacalhau cozido.

Este ano fomos ver as luzes de Natal e a minha avó foi connosco. Este ano o meu Natal regressou em pleno. Este ano estive e estou em paz.

Obrigada a quem trouxe a minha avó de volta. <3 
E porque o Natal não pode ser um dia, mas sim uma época: FELIZ NATAL, hoje, 27 de Dezembro.

E tu já fizeste as pazes com o teu Natal? 

Rita Leston. E Então? (Dezembro de 2016)

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1 thought on “Já fizeste as pazes com o teu Natal?”

  1. E verdade eu gostava do natal,mas em Portugal estavamos todos réuni dos aqui no Canada ,Nao e à mesma coisa,mas tenho 3 netinhos à coisa mais Linda 3 filhos à coisa mais Linda que deus me Deu um marido ,pois Nao posso ter mais e verdade falta- me os meus irmaos,Sobrinhos alguns primos que tambem gosto muito o meu pai ,Tb ja Nao tenho mae ,mas a vida e assim mesmo ,Nao ha Nada à fazer o principal e termos saude e ai somos felizes
    Feliz ano novo
    Desta vez Nao telefone ,Nao mando mensags Nao quero châtiar ninguem
    So quero que tenham um bom ano novo!

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