Lê, e então?

Dá tempo ao teu tempo

Queria ter mais tempo de qualidade com o meu filho. Queria ter mais tempo para namorar sossegada. Queria ter mais tempo para escrever. Queria ter tempo para ver mais vezes a família e os amigos. Queria mais tempo só para mim. Queria tempo para tirar um curso de fotografia. Queria tempo para ler e estudar. Queria tempo para aprender a estar sem fazer nada.

Mas não tenho. Os meus dias começam quase sempre às seis da manhã e, mesmo assim, há dias em que o tempo me escorrega entre os dedos, como se fosse um peixe fora de água a saltitar. Toda uma casa de família para gerir, entre arrumações, limpezas e compras. Entre tachos, marmitas de almoços e jantares. Filho, escola, trabalhos de casa e testes (já vos disse que estou a fazer o 7º ano pela segunda vez?…). Marido e tempo para passear e namorar. Deslocações, filas e correrias. Emprego meu. Escola dele. Tentar sempre escrever e dividir-me entre o blogue, o Facebook e o Instagram, para vos dar notícias. Tudo isto enquanto vou tirando umas fotos para usar por aqui. Puf. Dormir a correr. Seis da manhã. Começar tudo de novo. E não, não tenho muitos dias de fim-de-semana em que a vida seja muito diferente.

Queria mesmo ter mais tempo para fazer tudo aquilo que queria. Gostava mesmo de conseguir dedicar-me mais a uma série de coisas, que acho que poderia fazer tão melhor. Tenho mil ideias para pôr em prática, mas não consigo organizar pensamentos para o alcançar. Tenho idealizados mil projectos que não consigo sequer pôr no papel, quanto mais passar disso.

Queria mais tempo, sim. Não chego a todo o lado, não.
E sabem que mais? Está tudo bem!

Penso sempre que tenho o péssimo defeito de achar que consigo chegar a todo o lado e, quando dou por mim a pensar, consigo mesmo. Posso chegar atrasada e demorar mais um pouco, posso não ser perfeita ou ter conseguido alcançar o meu melhor, mas a realidade é que vou fazendo quase tudo aquilo a que me proponho verdadeiramente. A verdade é que sei que fiz o melhor que conseguia e sabia, que ultrapassei os meus limites com aquilo que a vida me colocou ao dispor. Sei que, na maioria dos dias, dei o melhor de mim para o conseguir e, mesmo quando não dei, foi porque estava demasiado cansada ou ocupada a viver outras coisas.

Não tenho a casa sempre arrumada e imaculada. Não tenho todos os dias comida saudável na mesa. Não tenho sempre tempo para escrever coisas novas. Não tenho sempre tempo para estar acordada a ver um filme. Não tenho sempre tempo para conversas longas com os meus. Não tenho sempre tempo para fazer uns telefonemas a dizer que estou viva. Mas tenho quase sempre tempo para tudo isto e isso basta-me a mim e aos que me rodeiam. E este “quase sempre” chega-me e realiza-me.

Não, não tenho tempo para tudo o que queria. A vida precisa de mim para outras coisas. E está tudo bem assim.

Rita Leston. E Então?

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