Lê, e então?

Que a mulher seja quem quiser!

Não costumo dar muitas opiniões e, é certo, a minha vale o que vale, ninguém ma pediu, mas também só a vai ler quem quiser.

Fui à procura do artigo da polémica, um artigo escrito por Joana Bento Rodrigues, médica ortopedista de profissão, e, pelos vistos, colunista do Observador, onde nos presenteava com a sua visão, dando conta do valor da mulher na sociedade actual. Ou, no caso do seu (ou do meu) entendimento, do seu desvalor.

Pelos vistos, as minhas – e as de todas as outras mulheres – melhores características são o meu «potencial feminino, matrimonial e maternal».

Ora vejamos, tenho um blogue e exponho a minha vida, publico várias fotos minhas, não sou capa de revista, nem nunca serei uma “gaja” boa, mas até gosto de me arranjar. Odeio tarefas domésticas e dou-as, de bom grado, a quem as quiser fazer. Fico na dúvida se tenho potencial feminino. Provavelmente, não ando suficientemente arranjada e não aspiro a minha casa assobiando como os Sete Anões.

Quanto ao potencial matrimonial, vivo amantizada. Feliz e junta com o meu companheiro, num pecado feito a dois. A dois e lado a lado, que nunca me hão-de encontrar atrás dele ou na sua sombra, a viver do seu trabalho enquanto passo o espanador nos móveis e a máscara nas pestanas. Somos ambos válidos e cada um de nós contribui com tudo aquilo que consegue e da melhor forma que saiba para o nosso bolo familiar. Não “casei bem“, como tal, não é um motivo de grande orgulho, aliás, casei bem mal que até deu em divórcio e me fez ir à minha vida com um pirralho às costas.

Vivi – por escolha e por opção – sozinha logo aos 18 anos; sempre estudei; trabalhei a tempo inteiro; fui mãe sozinha; conciliei um emprego das nove às cinco, a par de diversas actividades que sempre fui desenvolvendo; escrevi um livro; deixei imenso cotão nos cantos lá de casa e recuso-me a passar a ferro. Talvez o meu potencial matrimonial seja nulo, mas garanto-vos que a vida a dois lá em casa é pacífica e, mais do que isso, é feliz e completa, mesmo que ele chegue a casa antes de mim, ainda não haja nada para jantar e roupa esteja por arrumar.

Talvez me safe no potencial da maternidade! Fui mãe! Uma vez só e não, não sou a melhor mãe do mundo e tenho conseguido conciliar o papel de mãe com uma carreira profissional atribulada. Nunca foi um sonho de menina casar e ter filhos, não tenho toda a paciência do mundo, não sei brincar e descer à idade dele e, pasme-se, a dada altura impus ao pai dele a guarda partilhada, porque ele precisa de ambos para aprender e crescer equilibrado e eu precisava de trabalhar. Não sou a melhor mãe do mundo, mas sou a melhor mãe que sei ser!

O meu papel na sociedade, lamento, não é ser doce, cândida e submissa, nem ter como objectivos máximos e únicos o matrimónio e a maternidade. O meu objectivo máximo é o amor: o próprio, de preferência. E a felicidade.

Agora, também não critico quem queira fazer tudo ao contrário de mim! Que queira ficar em casa e dedicar-se a outra vida que não é a minha. Que a mim não me serve, mas que é apenas diferente. São escolhas, que devem ser livres e de cada um e que não devem ser criticadas seja de que forma for, logo, não me venham criticar a mim pelas minhas escolhas ou tentar fazer com que quem tem outras opções se sinta diminuída.

Conforme diz o artigo, “não se pode ter tudo“, mas garanto que tenho tudo o que quero e que preciso – e se ainda não tenho vou à luta buscar, levando pela mão quem eu quero que me acompanhe. Sou mulher e com muito orgulho mas, essencialmente, sou aquilo que eu quiser ser! Da forma que eu mesma entender, com os condicionantes que eu consiga ultrapassar ou os percalços que possa ter.

Só fiquei com uma dúvida: uma mulher que consegue entrar para Medicina na Faculdade, que tem uma profissão, que tem tempo para escrever artigos de opinião, que ainda faz parte de uma organização política, fica em que ponto, de acordo com o artigo?

Rita Leston. E Então?

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2 thoughts on “Que a mulher seja quem quiser!”

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